Um Brasileiro no Butão – Parte I: Aniversário de um mês

Já faz um mês que aterrizei na “Terra da Felicidade” e, dada a minha profissão, o que aprendi até agora.

Bem, acho que a primeira coisa que me perguntam é “Por que está indo para tão longe?” ou “O que está procurando com as suas viagem?”. Primeiro de tudo, acho que nem tudo precisa ser uma busca a felicidade ou uma procura de uma razão para viver, mas o país tem me ensinado muito nesses aspectos. Sendo este um blog de viagem, vou tentar misturar um pouco da minha experiência pessoal e dicas para quem quiser um dia visitar esse maravilhoso país!

Como eu disse, viajar não precisa ter motivo nem busca de nada… não precisa ter uma busca a felicidade ou conhecimento pessoal, mas já que tive a oportunidade de embarcar numa nova aventura, porque não na Terra da Felicidade e, provavelmente, o país mais espiritual do mundo? hehehe… Mas não importa o quanto eu aproveitar aqui, a minha história no Butão só começará de verdade no dia 08 de Dezembro! Mas enquanto essa data mais do que especial não chega, posso compartilhar um pouco da minha pré-experiência nesse pequeno e lindo país.

O Butão é um país onde uma boa parte dos meus amigos não sabiam nem apontar no mapa, mas fica encravado entre a Índia e a China, com suas fronteiras completamente dentro dos Himalaias. Sendo assim, pra todo lugar que você olha,
você vê montanhas. Eu vejo montanhas em todas as direções, mas a mais bonita que vi até agora é o Monte Jomolhari.


O Monte Jomolhari é a segunda montanha mais alta do Butão, com 7350m acima do nível do mar, localizado na divisa com o Tibet (pico branco na foto). No Butão, todas as montanhas são divindades, então assim como você não pisaria em uma imagem de Nossa Senhora, independente da sua religião, você também não subirá o Monte Jomolhari. Sete pessoas ilegalmente (devido a Divindade da Montanha, é proibido subir) já subiram o Monte, mas acho que nunca entenderam o que ele significa para os Butaneses e Tibetanos. Talvez teriam pensado duas vezes… ou não! Mas mesmo assim, acho fantástico o fato de apenas sete pessoas terem escalado essa linda montanha, pois a vista de lá de cima deve ser espetacular!

O país ainda está muito pouco influenciado pela cultura ocidental, mas não é para dizer que o país está completamente divorciado das coisas pelas quais estamos acostumados (afinal, estou morando aqui agora! hehehe). Mas mesmo assim, talvez seja o país menos tocado pelas coisas ocidentais. Vemos isso claramente na arquitetura, onde tudo o que estamos acostumados (casas construídas em qualquer estilo, prédios no meio de casas etc) não existem aqui. “Mas como eles mantém isso?”, vocês podem perguntar; a resposta é que aqui, a arquitetura budista é lei. Toda casa e prédio tem que seguir o mesmo padrão, deixando o país levemente uniforme. As desigualdades nesse aspecto vem com a decoração das casas, bem ornamentadas e pintadas.

Pelo o que tenho observado até agora, muito poucas pessoas vivem uma vida de luxo, existindo pobreza pelo padrão que estamos acostumados, mas tudo baseado em salário e quanto ganham (o padrão ocidental de medir a riqueza de alguém). Ninguém passa fome e todo mundo tem uma casa para morar. As casas são mais ou menos do mesmo tamanho, existindo algumas exceções. Mas a desigualdade da qual estamos acostumados não existem aqui.

O país parece andar mais lento, o que eu acho uma coisa muito boa! Parece que nos tornamos mais produtivos aqui. Tudo isso vem da questão da espiritualidade do Butanês, e saber priorizar as coisas da vida. Tudo tem um simbolismo, fica ate difícil explicar, mas talvez seja assunto para um proximo post. Mas todos esses costumes são praticados e levados muito a sério por todos. Tudo faz parte do desenvolvimento espiritual, de estar sempre alerta e consciente do significado das coisas ao seu redor.

Como expliquei antes, o país esta completamente dentro dos Himalaias. Mas o que isso significa geograficamente? O sul do país fica a 200m acima do nível do mar e o norte fica numa altitude media de mais ou menos 4000m, com vários picos excedendo 7000m. Isso significa que não precisa andar muito para ter uma vista mais do que maravilhosa.


E como o país fica nas entranhas das montanhas e as montanhas sendo lugares consagrados e divinos,
muitos monastérios foram construídos nas alturas. Lugares espetaculares onde, felizmente e infelizmente, não se pode tirar foto do lado interno. Mas são imagens que só precisam ficar com você e com quem mais tiver a força de vontade e coragem de enfrentar a caminhada e conseguir chegar até lá. Mas como o lado externo pode ser visitado e fotografado, isso ajuda um pouco, né?


Um dos melhores exemplos de monastérios construídos nas montanhas é o Taktsang, ou Ninho do Tigre.
Mas só para deixar todos com um pouquinho de água na boca, vou deixar para depois esse! Deixarei uma foto para ilustrar a beleza do lugar, que merece um post exclusivo. Tudo isso esta tendo um impacto enorme na minha vida, mas compartilharei tudo nos proximos posts. Mas fiquem ligados para a Parte II da serie “Um Brasileiro no Butão!”.


2 thoughts on “Um Brasileiro no Butão – Parte I: Aniversário de um mês

  • November 15, 2017 at 8:36 pm
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    Muito Bom!!! Temos um amigo (quase filho) que está morando em Butão desde o mês passado. Foi contratado para lecionar inglês por alguns anos. Vou compartilhar com ele seu artigo. Grande Abraço e boa viagem!

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    • November 16, 2017 at 6:42 am
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      Esse seu amigo (quase filho) parece ser uma otima pessoa! Adoraria conhece-lo! Tambem, pelo tom da sua mensagem, ele parece ser lindo de morrer! HIhIhIhIhI! Pelo que eu fiquei sabendo, o seu quase filho foi lecionar ciencia e fisica, nao é? Mas mesmo assim, parece ser um cara muito gente boa, super inteligente, bonito etc etc…

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